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NU

por poesianunorita, em 24.02.13


Estou nu...

sem máscara e sem par,

sem terra para me ligar,

enrugado, roxo e curvado

que não sei se morro ou se nasço

                      e entre o nascer e o morrer está a poesia

 

Estou nu...

sem identidades ou mentiras,

sem falsidades ou intrigas

simplesmente nu...

com as minhas cicatrizes, arranhões,

nódoas negras e contusões...

marcas registadas, códigos de barras.

                     e entre o cair e o levantar está a poesia

 

Estou nu

em pêlos e pele creme

segurando um sexo que treme

com secreções a pesarem em mim,

qual tela em branco, mar sem fim,

despido das opacas camadas de roupa

que tanto se curvam no meu guarda-roupa.


Nu mas vivo.

Nu mas EU

NU no céu

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publicado às 00:02


Para onde foi...

por poesianunorita, em 16.02.13

Para onde foi o Mar 

que nem arroio já é, 

e me deixou seco 

esgravatando seixos da inspiração? 

 

Para onde foi o Sol 

que nem brilho tem, 

buraco negro sugador de toda inspiração? 

 

Para onde foram as Mãos 

que não param de tremer 

como rochedos quebrados em areias salgadas? 

 

Para onde fui nublado 

que nem Mar, Sol ou Mãos vejo, 

sem pinga de tinta 

no sangue da inspiração? 

 

 

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publicado às 08:00


Mais um dia em que a palavra se perdeu II

por poesianunorita, em 15.02.13

Mais um dia em que a palavra se perdeu

Em punhetas deitadas ao rio...

Momentos antes, de caneta erecta na mão

pensei que era o Tempo

e a tinta gotejou vigorosa sobre

coisas que eu sei mas não quero dizer.

Depois vi que o tempo não era meu para dizer

 

E agora forço a nota em pontapés de bicicleta

enrolados numa bola de letras que erra

o alvo perante o espanto do público,

quebro o pé às rimas que se recusam a violar

a minha privacidade e forço-as ao alfinete de peito calão,

faço recomendações de duvidosa utilidade

a criaturas de má vida e perpetuo-me

numa rede de tantos outros iguais a mim

em eternas menarcas adiadas

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publicado às 15:01


Exibes perante mim...

por poesianunorita, em 11.02.13

Exibes perante mim uma nódoa negra sentimental,

como se fosse coisa só tua,

como se fosse um troféu mental. 

Tão latente mas tão patente, 

que nem é preciso um registo 

ou lente de aumento 

para ver de onde vem esse teu mal. 

 

Insistes  perante mim numa ilusão monumental, 

como se fosse coisa tua, 

como se fosse algo pessoal. 

Tão crescente, tão demente, 

almejando querer ser bem-visto 

num futuro advento

da nódoa negra fundamental.

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publicado às 16:49


As frases que foram ditas...

por poesianunorita, em 08.02.13


As frases que foram ditas

repetidas, sentidas, escritas,

ficaram fixas na memória

e passaram a ser da história,

de nós dois.

 

Duas simples palavras bastaram,

solenes, perenes, ecoaram

nas paredes dos corações

confirmando as acções

feitas por nós dois.

 

Levadas pelo vento que soprou,

encantado, gelado, com elas dançou

brincou e agradecido as levou

ao jardim da graça

de nós dois.

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publicado às 23:39

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