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No aperto do tempo

por poesianunorita, em 15.02.09

No aperto do tempo,

no cerco das horas,

demoram-se tentações e elevações;

mecanicamente

raspam-se feridas do rosto com lâminas duplas,

pele rasgada e untada que não cura,

não quer curar, não pode curar,

necessita de sangrar,

talvez para se purgar...

Um corpo pesado demais para a leveza interior

arrasta um espaço que não lhe pertence, vestindo fraques e tiques de quem anda por ter que andar.

Belas coisas passam pelos olhos devolutos,

mas nada disso importa;

radar que roda atento sem tocar em nada,

porque nada importa;

mãos que se quedam em bolsos mudos

porque nada merece ser tocado,

(só talvez aquela nuvem de chuva).

Passos em pontas para não se ferirem as pedras

com os punhais da intranquilidade.

Barco fantasma que aporta ao seu destino

cansado de navegar a solo

em monólogos receados

porque o tempo aperta e as horas acercam...

 

 A opacidade nos gestos,

irremediavelmente soberbos nas suas últimas apresentações,

resvala nas luzes dos olhos,

que cercam o tempo e apertam as horas...

num circulo humano.

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publicado às 00:26



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