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Prece

por poesianunorita, em 27.02.07

Recebe-me em teus braços ó manhã

que nasces indiferente a mim

que por aqui morro e renasço

em suaves contracções de parido.

 

Recebe-me em colo amável

e protector do espesso aquário frio

da madrugada onde deixei de pensar.

 

Recebe-me em ti,

deixa-me medrar no teu seio,

nas tuas cores maravilhosas,

no teu acordar esplendoroso,

nos teus bons dias musicais

recitádos pelos pássaros madrugadores

que flutuam alheios às minhas dores

com suaves cânticos afinados.

 

Recebe-me, aceita-me como sou

sem questões nem condições,

lava-me, limpa-me, purifica-me,

eleva-me a altos píncaros alados

onde a memória se perde no tempo de ser tempo.

 

Não recuses esta minha prece

meigamente soprada nos meus lábios

demasiados nédios de fingir que sou gente,

que sou gente que é gente...

 

Não me recuses...

A tua recusa

fere-me de uma dor mais do que física,

mais do que psíquica...

dor na alma que não cura...

Uma dor mais profunda do que o universo,

onde as perguntas secretas flutuam

e se afogam sem respostas no mais discreto

dos segredos que secretamente guardo.

 

Recebe-me antes que te tornes tarde

e o dia aqueça e se torne mole e derretido

como gelado que se tardou na mão.

 

Recebe-me antes que te tornes noite fria 

e inquietes as entranhas da terra que

frequentemente querem me engolir.

 

Recebe-me, por favor,

antes que desespere, e descontrolado

salte para teus redondos braços,

para o teu farto seio de mãe dos desencontrados,

para as tuas coxas e poderosas ancas de mulher,

que delicadamente encanta os necessitados

com sorrisos de sol na tua boca de céu...

 

Recebe-me em teus braços...

Deixa-me adormecer...

 

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publicado às 13:17


1 comentário

De Mel de Carvalho a 01.03.2007 às 12:00

"Recebe-me, aceita-me como sou

sem questões nem condições,

lava-me, limpa-me, purifica-me,

eleva-me a altos píncaros alados

onde a memória se perde no tempo de ser tempo."
***

Todo o poema é belíssimo. Destaco este verso ...

Bjs d(a)e Mel

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