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vizinho das nuvens

ENTRA E BEBE UM CAFÉ DE POESIA

vizinho das nuvens

ENTRA E BEBE UM CAFÉ DE POESIA

Não é para os Pardais

Abril 26, 2010

poesianunorita

Não sinto nada…

 

Abril já passou e as andorinhas verdes partiram há muito…

 

Os poleiros que tinham a alegria dos vestidos de cravos,

encheram-se de Abutres e de Aves de Rapina que espreitam e governam…

 

Não há liberdade para os Pardais!

 

Apenas calma…

Apenas o dia sereno, que avança, sereno.

Tudo sereno e tudo manso.

Bem mandado o dia avança cansado.

 

E os poleiros, que de cheios, até vergam…

E as andorinhas verdes que partiram…

E os Pardais sem liberdade para serem pardais!

 

Ah, a liberdade não é para os Pardais!

 

O primeiro milho não é para eles,

O segundo, também não.

E se ele faltar, eles o pagarão!

 

A liberdade não é para os Pardais!

Não há liberdade para os Pardais!

 

Entalados entre o ferro e a bigorna que adorna…

 

Apenas mansidão,

Apenas serenidade,

Apenas tolerância.

Não, não é para os Pardais, a liberdade!

 

Voar...

Maio 19, 2009

poesianunorita

Acho que me apetece ser um avião.

Andar de braços abertos e sentir o ar.

Rodopiar rapidamente em manobras fluentes;

erguer os pés do chão e voar.

Sentir o vento frio acariciando-me a face,

coçando-me o cabelo, roçando-me o flanco.

Sem rumo, sem rota, sem hora para aterrar.

Encher-me de céu azul e de nuvens.

Esvaziar-me do lastro pesado que me prende ao chão.

Olhar para baixo, ver o belo e esquecer o feio.

 

Libertar-me.

 

Voar em movimentos soltos e redondos

De fazer inveja aos pássaros.

Dizer-lhes:

-“Se vocês cantam porque sabem voar,

então eu voo porque gosto de cantar.”

 

E tudo isto por ser saudável.

  

O voo esquivo da andorinha

Março 25, 2009

poesianunorita

 

A noite apressa o sol para ir dormir,

e ele vermelho de cansado

observa o voo esquivo da andorinha

que vem saudá-lo com o seu grito estrídulo

de “Boa noite”.

Feliz, ela regressa ao seu bando

onde actualiza as noticias do dia

e lança piropos às outras companheiras,

em danças ágeis e acrobáticas.

 

As gaivotas pairam, alheias as estas movimentações, 

comentando “Que doidas, que doidas”.

 

Por debaixo desta alegria 

Lisboa ruge cada vez mais lentamente

até se ouvir apenas um leve sussurro,

cada vez mais suave.

 

A noite vai alisando a sua coberta de estrelas, 

esticando bem nos cantos para cobrir todo o céu,

e os bandos de andorinhas combinam encontros

para amanhã à mesma hora. 

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